A fitoterapia é uma prática terapêutica que utiliza plantas medicinais no tratamento de doenças. No Brasil, é regulamentada pela ANVISA e reconhecida como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS. Mas como a cannabis medicinal se encaixa nesse universo? Este artigo explica tudo.

O que é fitoterapia e como funciona?

Fitoterapia é o uso de plantas com propriedades medicinais para prevenir, tratar ou aliviar sintomas. Diferente do chá caseiro, os medicamentos fitoterápicos passam por controle de qualidade, eficácia e segurança para serem registrados na ANVISA. Eles podem ser produzidos em farmácias de manipulação ou indústrias.

No Brasil, a fitoterapia ganhou força com a publicação da RDC 26/2014 e, mais recentemente, com as novas regras de 2026. A ANVISA classifica os produtos como fitoterápicos (quando usam a planta inteira ou partes dela) ou fitofármacos (quando usam substâncias isoladas da planta).

Onde entra a cannabis medicinal?

A cannabis medicinal se encaixa perfeitamente na fitoterapia. O canabidiol (CBD), por exemplo, é considerado um fitofármaco pela ANVISA – ou seja, um insumo farmacêutico ativo derivado de planta medicinal. Isso coloca a cannabis no mesmo patamar de outros fitoterápicos amplamente utilizados, como o ginkgo biloba e o ipê roxo.

Em 2026, a ANVISA publicou novas RDCs (1.012 a 1.015) que modernizam o setor. A RDC 1.013/2026, por exemplo, permite o cultivo de cannabis com até 0,3% de THC para fins medicinais, incentivando a produção nacional de fitofármacos. Isso reduz a dependência de importações e pode baratear o tratamento para os pacientes.

A nova regulamentação da ANVISA reconhece a cannabis como uma planta medicinal estratégica, sujeita às mesmas regras de qualidade e segurança que outros fitoterápicos.

Outros fitoterápicos conhecidos

Para contextualizar, vale lembrar de alguns fitoterápicos famosos: o Ipê Roxo (imunomodulador), o Ginkgo Biloba (memória e circulação), a Camomila (ansiedade leve) e a Valeriana (insônia). A cannabis medicinal, com seus canabinoides como o CBD e o THC, se junta a esse rol com evidências científicas robustas para condições como epilepsia, dor crônica e ansiedade.

Como acessar fitoterápicos de cannabis no Brasil?

Atualmente, o acesso se dá por três vias:

  • Importação direta por pessoa física (com prescrição médica e autorização da ANVISA).
  • Associações de pacientes legalmente constituídas (que podem cultivar e dispensar produtos).
  • Farmácias de manipulação (autorizadas pela RDC 1.015/2026 a produzir cápsulas, óleos e outros).

O primeiro passo é sempre uma consulta com um médico especialista em medicina canabinoide. Ele avaliará seu caso e emitirá a prescrição adequada. A Cultive pode ajudar a encontrar profissionais e associações.

Fontes e referências

  • ANVISA: RDC 26/2014, RDC 1.013/2026, RDC 1.015/2026
  • Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)
  • Estudo: Plantas medicinais brasileiras e fitoterápicos (Fiocruz, 2025)

Aviso legal: Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. O uso de cannabis medicinal deve ser sempre supervisionado por profissional habilitado.